sábado, agosto 27, 2016

Jesus é dahora, o que fode é o fã clube


A beleza tosca da simplicidade.

A noite em que cruzei com Caetano veloso (ou, recuperando um post antigo de 2011


Descendo a rua Taylor pra acompanhar Jô - que ia ver Céu, no Circo Voador, - eu cruzei com o Caetano Veloso. Ele vinha sorridente a pé ao lado de um garoto e uma moça muito linda de cabelos curtos. Achei-o bonito com seu sorriso rápido e tênis baixo; e a meia-noite e seu tanto ficou mais estelar. Eu até pensei em correr atrás, dizer a ele muito devoto: "Caetano, eu gosto de você. Você é o cara que me ensinou a ser mais livre". E um tanto ridículo, para constrangê-lo, ou para vê-lo sorrir, gritaria: "Caetano, você é o meu Chico Buarque". Mas não fiz nada disso, eu já tinha vivido uns minutos antes minha porção de estrelas num apê profano de Santa Teresa, com a noite reclinada nos brancos arcos da Lapa.


quinta-feira, agosto 25, 2016

Big, segundo Gabriel


Gabriel disse que ao sair, ele fica nesta posição, esperando eu chegar.

Meu lustre, segundo Gabriel


Fluxorama, de Jô Bilac e direção de Monique Gardenberg


Quatro monólogos

1. AMANDA. Uma mulher perde gradativamente os sentidos e, desesperada, oculta do marido e amigos seu estado. Paradoxalmente, passa a se relacionar melhor com as pessoas, e a ser adorada conforme avança em deficiência e simulação. [Interpretado por Juliana Galdino]

2. LUÍZ GUILHERME. Preso nas ferragens, enquanto agoniza, um homem reflete sobre sua vida banal, procurando o extraordinário e concentrando-se finalmente na lembrança do amor de sua vida. [intermpretdo por Luiz Henrique Nogueira]

3. VALQUÍRIA. Enquanto corre a São Silvestre, uma mulher se questiona o motivo de se empenhar numa maratona sem sentido, num crescendo de exaustão, conclui que é necessário terminar algo e seguir com a vida apesar de todas as possibilidades trágicas, catástrofes e dramas pessoais. 

4. MEDUSA. Um homem após fumar um cigarro de maconha, senta-se em posição de ioga e empenha-se a meditar, esvaziar a mente de qualquer pensamento, mas num crescendo desesperado seu discurso/fluxo de consciência é perpassado por todas as angústias existenciais religiosas e filosóficas que acometem o homem, do humor chega-se à consciência e angústia do sem sentido da vida; e, por fim, da solidão a que todo ser mortal (saco de carne) está sujeito enquanto vive.


19.8.16 - SESC Ipiranga - com Gabriel e Airton.

Para não esquecermos a que interesses servem a revista VEJA


Dilma em dois tempos, numa grande foto.


Presidenta Dilma em dois momentos históricos. Hoje no teatro dos bancários véspera da votação do seu impeachment no senado e em 1970 sendo interrogada pelos militares.

sexta-feira, agosto 19, 2016

Depois de Van Dongen, 1959


Foto de Norman Parkinson

DEVIL HANNAH


O lançamento de um disco jamais repetirá o impacto que teve Devil Hannah, principalmente para o heavy metal. Este vinil implodiu tudo o que tinha feito até então e sua influência foi decisiva não só para que um Black Sabbath ou um Metallica viesse a existir, mas para definição do próprio gênero. Devil Hannah, estampando na capa o inconfundível rosto -- não do vocalista Dizzig - mas da baixista Hannah, tornou-se, de imediato, um ícone da cultura ocidental. Homem-mulher-fera, Hannah, cujo nome é legião, com sua presença desnorteadora, agressiva e performance visceral, compensava em espírito, o fato de seu baixo sumir por baixo das guitarras e voz rascante de Dizzig. Impossível explicar às novas gerações que os cabelos compridos agitando-se no ar num bater de cabeça, parecendo hoje tão natural, partiu da cabeça de Hannah. O impacto comportamental que redefiniu o visual metaleiro no mundo, as roupas pretas, as calças justas como uma outra pele negra, e o olhar sem redenção, tudo deve-se a Hannah, cuja presença de palco e estilo mudou o comportamento de gerações. Sem Hannah, Daevil minguou e morreu. Sem Hannah, Daevil minguou e morreu. Hannah abandonou a banda em pouco mais de um ano, perdida nas drogas e envolvida em escândalos sexuais, que envolviam quebra-quebras em quartos de hotéis, bebedeiras homéricas, orgias regadas à cocaina, heroína e LSD que envolviam bodes e morcegos. Saiu de cena no alto, nunca tendo de fato abandonado o baixo, com contribuições para Powerslave, do Iron Madden; Rust in Peace, do Megadeth; British Steel, Judas Priest e Blizzard of Ozz, de Ozzy Osbourne. Conta a lenda que deu nome a banda e ao álbum Chaos A.D., do Sepultura. Fato é que seu visual e sua atitude marcou e definiu a postura heavy metal no planeta. Como bem afirmou Ozzy, Hannah nunca morreu, vive em cada moleque cabeludo que chapa o coco ao som do metal.

quinta-feira, agosto 18, 2016

Uma foto com classe


 Postei esta foto da turma nova do cursinho comunitário da Paulista, e recebi um comentário da minha maravilhosa professora da época do colégio, Vera Lúcia, maior modelo de professora que já tive. Reencontrei-a aqui no Facebook por causa da confraternização recente com a antiga turma. Temos nos falado desde então. Uma alegria e um grande orgulho, pois ao lado de minha mãe, minha professora Lourdinha (da faculdade), minha tese também foi dedicada a ela que me apresentou Drummond (ela emprestou A rosa do povo), José de Alencar, Machado de Assis, dentre outros; também me fez amar Literatura e a profissão de professor.

Uma síntese das Olimpíados Rio 2016


VULGÍVAGA, de Manuel Bandeira

VULGÍVAGA

Não posso crer que se conceba
Do amor senão o gozo físico!
O meu amante morreu bêbado,
E meu marido morreu tísico!

Não sei entre que astutos dedos
Deixei a rosa da inocência.
Antes da minha pubescência
Sabia todos os segredos...

Fui de um... Fui de outro... Este era médico...
Um, poeta... Outro, nem sei mais!
Tive em meu leito enciclopédico
Todas as artes liberais.

Aos velhos dou o meu engulho.
Aos férvidos o que os esfrie.
A artistas, a coquetterie
Que inspira... E aos tímidos - o orgulho.

Este caçôo-os e depeno-os:
A canga fez-se para o boi...
Meu claro ventre nunca foi
De sonhadores e de ingênuos!

E todavia se o primeiro
Que encontro, fere toda a lira,
Amanso. Tudo se me tira.
Dou tudo. E mesmo... dou dinheiro...

Se bate, então como o estremeço!
Oh, a volúpia da pancada!
Dar-me entre lágrimas, quebrada
Do seu colério carremesso...

E o cio atroz se me não leva
A valhacoutos de canalhas...
É porque temo pela treva
O fio fino das navalhas...

Não posso crer que se conceba
Do amor senão o gozo físico!
O meu amante morreu bêbado,
E meu marido morreu tísico!

Flaubert, a linguagem e a realidade, por Maria Rita Kehl


Em 1856, ano do nascimento de Freud, Gustave Flaubert começou a publicar na Revue de Paris os primeiros capítulos de Madame Bovary, seu romance de estreia. O tema lhe fora inspirado por uma notícia de jornal sobre o suicídio de uma adúltera provinciana. Flaubert, que vinha trabalhando duramente no projeto de escrever A tentação de Santo Antônio, foi desaconselhado por seus dois amigos, Maxime du Camp e Louis Bouilhet, que lhe propuseram jogar o texto no fogo e, em troca, escrever a história de Delaunay. A base “real” do romance foi, assim, a notícia sobre o suicídio de Delphine Delaunay, esposa adúltera de um oficial de saúde numa cidade do interior da França. Em 1849, nasceu o “argumento” central de Madame Bovary, que só começaria a ser escrito em setembro de 1851, depois que Flaubert reatou relações amorosas com sua amante e maior interlocutora epistolar, a também escritora Louise Colet.
O objetivo de escrever um romance num estilo tão simples, em que o narrador praticamente desaparecesse, tomou quase cinco anos de trabalho a Gustave Flaubert, provavelmente com sucesso – o “realismo” de Madame Bovary causou escândalo.
Mesmo quem nunca leu o romance conhece sua fama: depois da publicação, Flaubert foi processado, julgado (e absolvido) por ofensas à moral pública, à família e à religião. As motivações do Ministério Público no processo contra Madame Bovary nunca ficaram muito claras – voltaremos ao julgamento mais adiante. Classificado como um romance realista – talvez o maior de todos –, Madame Bovary não é considerado assim por Flaubert. Um romance sobre a linguagem e suas apropriações pelo senso comum burguês do século 19, um comentário crítico e totalmente exterior à “grotesca mentalidade burguesa” que estava no auge de sua expansão, escrito por alguém que sempre professou não seu amor pela realidade, mas seu ódio a ela. Para Philippe Willemart, a confusão sobre o realismo de Flaubert consiste no fato de o escritor “não levar a realidade a sério” – ele se refere evidentemente à realidade social –, considerando-a o resultado de convenções arbitrárias, sobretudo no campo da linguagem. Seu romance pode, portanto, ser entendido também como um estudo de estilo, que exigiu do autor anos de trabalho incessante, com o objetivo de desvendar as “ideias feitas” que asseguravam o conforto espiritual do filisteu de sua época.
Em carta à amante Louise Colet, quando ainda estava começando a escrever o que seria seu primeiro e mais célebre romance, Flaubert anunciava o projeto: “Bovary (numa certa medida, na medida burguesa, tanto quanto pude, para que fosse mais geral e humana) será […] a suma de minha ciência psicológica, e só terá um valor original deste ângulo. Será? Deus queira!”. Sua “ciência psicológica” é implacável, e parte de uma espécie de desilusão a respeito dos homens que nos faz lembrar o que viria a ser, quarenta anos mais tarde, o ponto de partida do pensamento freudiano. Afinal, Flaubert é um artista e, como tal, como escreverá Freud um dia sobre os poetas, saberia por intuição e antecipadamente o que os pobres cientistas trabalham e pesquisam humildemente, anos a fio, para compreender. Considerando os médicos de seu tempo “[...] uma espécie de imbecis e os filósofos, outra”, Gustave Flaubert se perguntava, no início da elaboração de Madame Bovary: “Quem é que, até hoje, fez história como um naturalista? Já se classificaram os instintos da humanidade e viram como, sob que latitude, eles se desenvolvem e devem se desenvolver? Quem estabeleceu cientificamente como, e por que necessidade do espírito, tal forma deve aparecer?”
As “formas” cujas condições de surgimento interessam a Flaubert são, antes de tudo, formas de linguagem. Seu Dicionário das ideias feitas, concebido enquanto escrevia Madame Bovary, é fruto de um projeto que atravessa todo o seu trabalho e culmina em sua última obra, Bouvard e Pécuchet: denunciar, através da ironia, a teia de linguagem que constitui o conforto e a segurança psicológicos do “bom burguês”, escreveu a Louise Colet.
São da mesma farinha todos aqueles que falam de seus amores passados, do túmulo de suas mães, de seus pais, de suas boas lembranças, beijam medalhas, choram com a lua, deliram de ternura quando veem crianças, desmaiam no teatro, ficam com um ar pensativo diante do oceano. Farsantes! Farsantes!
A que “farsa” se refere Flaubert nessa carta? À da sensibilidade burguesa ou à da literatura que a alimentava? Contra que “realidade” o escritor se rebelava? A que se reflete na tolice dos leitores ou a dos próprios livros? A posição de Flaubert como escritor não é simples. Sua primeira grande personagem é justamente a mocinha provinciana cheia de sonhos tolos, alimentados pela leitura dos romances em moda nos meados do século 19. Como Flaubert pretendia ser lido, então? Que recursos de estilo ele desenvolveu para tentar garantir que seu romance não propiciasse devaneios “bovaristas” a uma multidão de mulheres sonhadoras e frustradas?
Vale a pena conhecer alguns verbetes de seu Dicionário para se ter uma ideia melhor do que era, para Flaubert, a matéria-prima da farsa do bom gosto burguês, das convenções literárias e do seu efeito na produção social da realidade:
Bandeira Nacional – Vê-la faz o coração bater. Conciliação – Deve-se sempre pregá-la, mesmo quando os contrários são absolutos. Cortesãs – São um mal necessário. Protegem nossas filhas e irmãs enquanto existirem homens solteiros. Deveriam ser impiedosamente expulsas. Não é mais possível passear com nossas mulheres por causa de sua presença nos bulevares. Sempre são moças do povo seduzidas por ricos burgueses. Dor – Sempre tem um resultado favorável. A dor verdadeira é sempre contida. Eruditos – Ridiculariza-os! Para ser erudito, basta memória e trabalho. Itália – Deve ser visitada imediatamente depois do casamento. Provoca muitas decepções, não é tão bela como se diz. Magnetismo – Belo assunto de conversa e que serve para “ganhar as mulheres”. Nobreza – Deve-se desprezá-la e invejá-la. Pássaro – Desejar ser um pássaro, e dizer suspirando: “Asas! Asas!”. Sinal de uma alma poética. Rosto – Espelho da alma. Então, algumas pessoas têm uma alma muito feia. Wagner – Deve-se rir com escárnio quando se ouve seu nome, fazer piadas sobre a música do futuro.
Se Flaubert odiava as ideias feitas com a mesma intensidade com que afirmava odiar a realidade, é porque compreendia a realidade como uma farsa produzida pelos efeitos da linguagem. Seu Dicionário foi uma denúncia das formas de linguagem criadas pelo burguês em sua pretensão de “ser um outro”: por meio das ideias feitas, o filisteu banca o literato, o empreendedor banca o sensível, o usurário banca o moralista e toda a burguesia moderna faz semblant de aristocracia classista.



Suplemento Cultural do Diário Oficial do Estado de Pernambuco

Fonte AQUI

O sexo com sentimentos, de Ivan Martins


A gente não quer apenas tocar o corpo da pessoa que nos atrai. Queremos ser amados e desejados por ela

Lembro de uma conversa na cozinha em que uma moça me explicava, enfaticamente, que sexo para ela era sagrado, uma troca cósmica de energia. Não, eu respondi, sexo é profano, parte de um contínuo natural que começa na troca de olhares e termina na cama. É claro que ao final da conversa não houve sexo entre a moça e eu. O profano e o sagrado raramente se misturam.

Cada um de nós tem uma concepção particular do que o sexo significa, mas eu acho que existem duas grandes visões sobre o assunto que se misturam na nossa vida e mesmo dentro de nós, alternadamente.

Alguns sentem que o sexo aproxima as pessoas; outros acham que afasta. Quem acha que o sexo afasta, vê nele apenas uma forma de prazer esgotável. Gozou, tchau. Quem acha que aproxima, percebe o sexo como algo ligado aos sentimentos, parte de uma coisa mais duradoura. Não acha que o gozo encerra tudo.

A que grupo você pertence?

Eu acho que o sexo é antes de mais nada uma busca não declarada por envolvimento emocional. Prazer físico a gente obtém melhor sozinho. Sexo é um instrumento de conexão, algo mais fundamental à nossa existência do que o próprio gozo. Para nos conectar temos de mergulhar no outro, ser aceito por ele, refastelar-se na emoção de dar e receber prazer. Depois de uma longa sessão de libidinagens e beijos na boca, emergimos modificados. É impossível olhar para a pessoa ao lado e não sentir afeto. Esse sexo aproxima.

Frequentemente, porém, os corpos e as cabeças não se entendem. O sexo fica banal, besta, acrobático. Ou pífio. Cada um na sua de olhos fechados. Gente dançando em salas diferentes, ao som de músicas distintas. Não se fez a conexão, por algum motivo. Esse sexo afasta. Talvez role num outro momento, quem sabe com outra pessoa. Não fomos feitos para transar a toda hora com qualquer um.

Como escolhemos com quem desejamos estar, usamos o sexo para construir relações. É um jeito de se aproximar radicalmente de quem nos interessa. Há o impulso do prazer nessa aproximação, mas logo abaixo dele corre a busca por afeto, como um rio subterrâneo. A gente não quer apenas tocar o corpo da pessoa que nos atrai. Queremos ser amados e desejados por ela. Nosso tesão, mesmo o mais visual e instantâneo, tem um pedaço enorme de puro sentimento.

Nas mulheres esse impulso é mais visível, mais anunciado. Faz parte da cultura feminina. Entre os homens o assunto é mal resolvido. O sujeito corre atrás de afeto e atenção desesperadamente, mas diz para todo mundo (e para si mesmo) que quer apenas transar. Em alguns casos talvez seja verdade, mas eu duvido. Trocar de parceiras o tempo todo faz bem para o ego, mas deixa um buraco. O essencial não é contemplado.

Por causa desses desencontros, as pessoas se perguntam se o sexo deve acontecer no primeiro encontro ou deveria vir depois. Eu acho que não tem importância.

Conheço casais felizes que começaram no banheiro de uma balada e casais tristes que transaram depois de meses de preparação. Não há regra. Para alguns o sexo acontece naturalmente no primeiro encontro. Para outros, tirar a roupa vem só depois, quando foi estendida uma rede de segurança emocional. O essencial é não agir e não levar o outro a agir fora do seu tempo e do seu estilo de vida. Isso machuca e afasta.

Tenho pensado, ultimamente, que não há nada de errado em respeitar o próprio andamento e dar um tempo antes de se meter na cama com os outros. Sem moralismos. Pode ser o caso apenas de conversar mais, conhecer melhor, deixar a vontade crescer. Por que tanta pressa, afinal? Um pouco mais de convívio pode resultar em sexo que aproxima, em vez de sexo que afasta.

Afinal, em meio à nossa bem-vinda liberdade, há muito descontentamento em relação ao sexo. As pessoas não sentem que ele esteja cumprindo a promessa dos anos 1960 de criar outros tipos de felicidade. Cresce a solidão dentro das vidas cheias de erotismo que levamos.

A que se deve isso? Não sei direito.

Minha impressão é que o sexo ligeiro ou pornográfico que nos é oferecido em larga escala não atende as expectativas emocionais das pessoas adultas. Serve aos adolescentes que estão descobrindo a vida, assim como serve a quem está num intervalo entre relacionamentos. Mas poucos ficam satisfeitos com a perspectiva de viver indefinidamente de transas superficiais marcadas pelo Tinder. Com esse tipo de dieta afetiva, qualquer alma sensível morre de fome.

Minha impressão é que precisamos de mais sexo com sentimentos, do tipo que nos faz acordar românticos e ter vontade de preparar o café da manhã. Aquele que se faz com raiva de si mesmo, ou com total desatenção pelo outro, só afasta. Afasta inclusive de nós mesmos. O sexo com sentimentos aproxima e aprofunda, desvenda e ilumina, faz crescer. Talvez seja mesmo uma força sagrada, como achava a moça da cozinha - embora nada me pareça mais bonito que as nossas escolhas românticas, intuitivas e profanas.

 IVAN MARTINS
05/08/2015 - REvista Época.

FONTE

´Pré Temer e Pós Temer