quinta-feira, dezembro 01, 2016

"Eu Vou Fazer uma Macumba Pra Te Amarrar, Maldito!"

 Eu adoro a contundência dramática do Johnny Hooker, tem tudo a ver com meu jeito de ser: simulação de indiferença e coração saindo pela boca. Seguem duas músicas que enterraram o amor-da-minha-vida, me fez perder quilos na esteira e me devolveu à vida e ao amor. 





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Despedida dos alunos do Maximize

 Paulista


 Mauá
 Paulista
 Mauá





 Paulista
 Mauá



Sobre Fidel Castro


Nem para o Céu, nem para o Inferno: para a História.

Sobre a mídia

Quando um fato trágico é abordado/explorado incessantemente como melodrama e provoca uma histeria coletiva, um comportamento de manada, você entende muito bem o sistema politico que temos. As pessoas não se percebem manipuladas e mesmo os mais inteligentes caem como patinhos no discurso do coração. E dá-lhe Ibop e camisetas e postagens lacrimosas e de ódio àqueles que não se permitem engendrar.

Sobre a queda do avião da Chapecoense, um quadrinho síntese da dor


Reflexões sobre a criança, o birnquedo e a educação, de Walter Benjamin


Lendo no trem rumo a Mauá, depois no ônibus para o Zaíra. Cabeça explodindo sempre com Walter Benjamin.

De uma postagem no Facebook sobre a queda do avião e Vittorino



Fiz uns tantos posts e compartilhei outros tantos que chegaram sobre temas variados. A minha recusa à comiseração geral pegou fundo nos corações e fui xingado inbox por pessoas amadas. Flanando sobre vitrines cyber, não alimento novas ilusões sobre pessoas, sobre o país e o futuro. Tampouco escamoteio minhas falências morais ou éticas. Sexta, tem hospital para levar a mãe, lavei hoje o banheiro, dei banho no meu cachorro aleijado e comi linguiça calabresa. Enquanto vinha no trem para Mauá, li um trecho lindo do ensaio do Walter Benjamin, o suicida que sempre estimula meu desejo de viver e produzir. Fui ao dentista fazer placa para bruxismo, conversei com meu irmão, instalei o Uber no seu celular, e minha cunhada me serviu um café delicioso. Com meu sobrinho Vitorino fiz um robô de lego, um sol amarelo de massinha de modelagem, um coelho púrpura, um video cantando "Meu pintinho amarelinho" e belas fotos. Minha vida é prosaica, simplória e, em boa medida, satisfatória. O Facebook me distrai e nele propago determinadas impressões absolutamente pessoais sobre o mundo, além de cronicar meu dia-a-dia. Leio várias postagens e interajo com pessoas que mal conheço, que conheci mais nas redes que na vida e com gente que admiro e sinto saudade da presença real. Mas na prática, nada é sério e relevante demais. Que relevância tenho eu ante a catástrofe da queda de um avião com 76 mortos? Que valerão lágrimas minhas a eles, que independem do meu respeito piedoso ou insultuosa indiferença? Por que aos vivos constrange e agride minha recusa a compactuar com a catarse (ou expurgo) em forma de dor coletiva? Este dia o que vai me ficar é a alegria deste encontro, sintetizada numa fotografia com Vitorino, que para mim é a cara do amor.

quarta-feira, novembro 30, 2016

Um post no facebook no dia do desastre com avião do time do Chapecoense.

A notícia do acidente e das mortes foi dada. A cobertura passo a passo em Chapecó ou publicações de vídeos pré e pós desastre servem a quê? Se interessar, é tão somente às familias. Sentir empatia pela dor dos outros, não implica curiosidade mórbida. A mídia expõe o espetáculo ganhando audiência e patrocínio. O desastre será explorado à exaustão, como chacais e abutres.

NENHUMA INFORMAÇÃO RELEVANTE JUSTIFICA A COBERTURA HISTÉRICA QUE SE FARÁ A SEMANA TODA, NUM DISCURSO EMOCIONAL E PIROTÉCNICO QUE NADA ELUCIDA.

Vi isto acontecer com Sena, Os Mamonas Assassinas, Montagner. E as redes sociais vão dar ressonância a isso. Ela não é uma alternativa a idiotia televisiva, também aqui estarão a espetacularização e pior: o cidadão comum com seus hashtags e fotos alteradas - achando que são sinceros, espontâneos, solidários ou empáticos - replicando o efeito da cobertura e, portanto, comprovando o quanto são influenciados pela TV/mídia. Os mortos seguirão mortos. A mídia enriquecerá.

E o CIDADÃO MIDIOTIZADO sentirá que contribuiu com seus LIKES num coletivo de dor vazio que não serve a nada, mas que é termômetro para novas manipulações. ENQUANTO ISSO MAIS UMA NOVA LEI NEFASTA SERÁ VOTADA E TORNARÁ O BRASIL UM PAÍS MAIS ATRASADO E DESIGUAL.

Maiúsculas por Airton dos Santos

segunda-feira, novembro 28, 2016

3%, série da Netflix




3% série da Netflix. Um texto crítico.

3% é uma série brasileira da Netflix. Uma ficção científica. Jovens em determinada idade são submetidos a um teste para viver no MarAlto, uma espécie de paraíso na Terra destinado a 3% da população de um planeta devastado. Os daqui vivem miseravelmente sem assistência, submetidos à violência e misérias mil, desassistidos do Estado. Submentem-se ao Processo, uma espécie de vestibular com entrevistas, testes de lógica, exames de índole/moralidade, provas físicas etc. Ser desclassificado significa ficar sem futuro, quase o que sentem os candidados da FUVEST. Em cada episódio, um personagem é eliminado como num reality show. Quase todo episódio começa com flashback (à maneira do Lost), é mostrado o passado do personagem e suas motivações. Infiltrados no grupo, há "terroristas" que pretendem destruir o sistema de dentro, mas sem grande convicção. Há claro um tirano, Ezequiel; tirano, pero o mucho. Há cenas de tortura em pau de arara. As referências são à ditadura e à imensa desigualdade de classe brasileira e mundial. A ideia não é original, há os filmes Elizium e a quatrologia Jogos Vorazes com mesma premissa, desenvoldos com maiores orçamentos. 3% é pobrinho de recursos em efeitos especiais com visual à Hans Donner, mas tem aquela qualidade 02, bem feitinho com o que dá dentro de uma estética de comercial/videoclipe televisivo. O roteiro é bom, os atores são competentes e tudo segue bem azeitadinho, embora haja vários furos quanto à verossimilhança, principalmente, quando se trata da psicologia dos personagens. Prende, entretem, mas, sendo uma alegoria tão próxima, rica para discussão de algo que vivemos tão intensamente no presente - desigualdade, opressão, conscientização política/de classe, - ela se restringe a esvaziar qualquer viés conscientizador, volta-se para o drama pessoal, tolo e melodramático. A motivação é uma vingancinha (da protagonista) pois o irmão foi morto pelo vilão. O particular suplanta qualquer ideal coletivo, aquém de ideologia, de desejo libertário, de esperanças utópicas. Embora a motivação política seja sustentada pelo personagem Rafael, o fato de ele ser um tanto amoral - por vezes, fútil - tira a potencia da "Causa". E tudo se dilui no lance de sempre, o coração ferido, mantendo-se mais do mesmo, nada para fora do mero espetáculo televisivo. Não querendo ser mais que "diversão", a série esvazia-se em si mesma, nada propõe e fica com o espectador, nenhum dilema, nenhuma associação permitida com a vida. Nenhum ganho de consciência. É a trama lá deles, individual, particular, assistivel, acomodada à fantasia sci-ficction. Condena-se, assim, ao 100% de esquecimento, logo após assistido.

Rever filmes, é um outro prazer


Estava no Netflix, botei e acabei assistindo inteiro com Gabriel. Rever De volta para o futuro é estranho, pois foi o terceiro filme que vi na vida num VHS, no Zaíra, em torno da família. Constatar que o filme segue empolgante, e com um roteiro primoroso e conduzido com um talento preciso de Robert Zemeckis, que depois nos daria Contato, Forest Gump e O náufrago. Preciso sentar e estudar, ponto a ponto os encaixes deste roteiro. Uma aula.


Também, botamos para ver um pedaço, e de repente estávamos entregues a este filme apocalipse-zumbi empolgante. Adoro gênero suspense/ação/terror, filme que provocam efeito físico no espectador: roo as unhas, o coração acelera, fico ansioso, levo sustos. Um filme frenético, cheio de tensão. Tinha visto no cinema. Revê-lo foi um prazer.

Ontem, 27 de novembro de 2016, FIDEL CASTRO MORREU.


Viva o Comandante!

Eu sou Ingrid Bergman, documentário


Baixei. Há tantas belezas neste documentário sobre a estrela Ingrid Bergman. Mas o que fica é a absoluta entrega e liberdade que ela tem em relação à vida, tão fiel a si, seus desejos, suas ambições. Uma alegria imensa em viver - de alguém que perdeu os pais muito jovem, e se construiu por completo. Sem se anular como ser diante dos homens que amou e até dos filhos, ela avançou pela vida reinventando-se em línguas e lugares diferentes em ciclos da vida, buscando a excelência na arte, que a fazia mais viva. Como não ama-la?

quinta-feira, novembro 24, 2016

Animais fantásticos e onde eles habitam


Assisti na Paulista, sábado. J.K.Rowling provando definitivamente que é um gênio, inserindo no universo de Potter uma trama deliciosa, cheia de belezas, ações, inventividade. Delicioso filme.

XXY, de Lucía Puenzo (2007)

 

Alex nasceu com ambas características sexuais, ou seja, um pênis e uma vagina, ou seja, ela é hermafrodita. Seus pais se mudam para uma cidade pequena, protegendo-a da exposição. Muitas coisas mudam quando recebem a visita de um casal, cujo filho de 16 anos acaba se apaixonando por Alex.

Este filme estava entre as muitas pendências de filme, e a abordagem do tema me surpreendeu. Um belo filme que não fecha as questões.